O teletrabalho é uma realidade nos dias atuais e oferece muitos benefícios para empresas e funcionários. Mas o que é exatamente o teletrabalho? E quais são suas vantagens? Para introduzir este assunto publico abaixo um texto de Manuel Martin Pino Estrada, um estudioso que pesquisa o teletrabalho e os seus impactos no dia-a-dia. Este texto foi originalmente publicado no blog Chega de Trânsito.

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Definição e vantagens do teletrabalho

Por Manuel Martin Pino Estrada

1. Definição e características

Define-se teletrabalho como a transmissão da informação conjuntamente com o deslocamento do trabalhador, através de antigas e novas tecnologias da informação,  em virtude de uma relação de trabalho, permitindo a execução à distância, prescindindo da presença física do trabalhador em lugar específico de trabalho.

Teletrabalhador é aquela pessoa que desenvolve atividades laborais através de antigas e novas tecnologias de informação e comunicação, distante da sede da empresa ou da pessoa física à qual presta serviços(1).

O teletrabalho assenta num novo paradigma, em que o trabalho deve ir ao encontro do trabalhador em vez de ser este a ter de ir diariamente ao encontro do trabalho. Essencialmente, baseia-se numa descentralização física acompanhada por uma descentralização da informação, o que hoje se chama uma forma de trabalho distribuída(2).

Sendo, por isso, uma atividade profissional exercida à distância, graças à utilização interativa das novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC), que diz respeito ao “trabalho por conta de outrem ou independente, e interessa a todas as tarefas que compreendam a utilização, tratamento, análise, ou produção de informação”(3).

Estas definições ajudam-nos a acentuar quatro componentes fundamentais, ao conceito do “teletrabalho”, a saber:

i) Por um lado, o fato de se exercer à distância, por intermédio de infra-estruturas de telecomunicações, com efetiva deslocalização física do exercício ou da prestação do trabalho;

ii) Com a utilização das tecnologias de informação e de comunicação (TIC) de modo interativo, diferido ou direto, que “tem provocado uma transformação da natureza e das condições de exercício do trabalho, com crescente intermediação das redes de pessoas e de tecnologias para se viver e trabalhar à distância, no fundo para teletrabalhar”.

iii) Por outro, a flexibilidade do/no exercício do trabalho, no que diz respeito às suas variadas formas ou modalidade de exercício e de tempo de realização. A flexibilidade no exercício do trabalho, emerge como uma das componentes mais importantes no teletrabalho, no exato sentido em que coloca em causa a organização tradicional do trabalho, com transformação da natureza das atividades humanas através da desmaterialização desse mesmo trabalho

iv) Por fim, e decorrente da necessidade de existir “interesse econômico para as empresas” e para as pessoas, pensamos ser importante acrescentarmos uma perspectiva de melhoria econômica e de produtividade no trabalho prestado, assente na idéia de redução de encargos financeiros, de esforços, de energia, de recursos, de tempos, etc (4).

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) o teletrabalho é qualquer trabalho realizado num lugar onde, longe dos escritórios ou oficinas centrais, o trabalhador não mantém um contato pessoal com seus colegas, mas pode comunicar-se com eles por meio das novas tecnologias (5).

2. Vantagens do teletrabalho

2.1. Para a empresa, as vantagens são as que seguem:

a) Redução em despesas com imobiliário pela diminuição do espaço no escritório;
b) o teletrabalhador dificilmente estará “ausente”;
c) oportunidade para a empresa operar as 24 horas globalmente;
d) em caso de catástrofes que não bloqueiem as telecomunicações, as atividades feitas pelos teletrabalhadores não sofrerão suspensão;
e) maior motivação e produtividade  dos empregados;
f) redução dos níveis hierárquicos intermediários, possibilitando conservar o pessoal mais qualificado, oferecendo-lhe melhores vantagens de localização.

2.2. Para a sociedade e o governo são as seguintes:

a) Geração de empregos;
b) diminuição nos congestionamentos nas grandes cidades, especialmente nos horários de rush;
c) redução da poluição ambiental;
d) maior quantidade de empregos nas zonas rurais;
e) redução com os gastos de combustível;
f) melhor organização do território;
g) promoção e desenvolvimento dos subúrbios e das regiões rurais.

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Notas:

(1) Definições feitas pelo autor.
(2) LANCASTRE, José Garcez de. Estudo sobre as Modalidades Distribuídas e Flexíveis de Trabalho no Contexto Empresarial Português – O Teletrabalho. Fundo Social Europeu e Governo da República Portuguesa. Lisboa – Portugal, 2006.
(3) RUBINSTEIN, Michel. L ´impact de la domotique sur le functions urbaines. Fondation Européenne pour Famélioration dês conditions de vê et de travail. Dublin – Irlanda, 1993.
(4) LEMESLE, Raymond Marin & MAROT, Jean Claude. Le Télétravail. PUF, Collection Que sais – je?, Paris – França, 1994
(5) GBEZO, Bernard E. Otro modo de trabajar: la revolución del teletrabajo. Trabajo, revista da OIT, n. 14, dez de 1995.

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